Se você tem mais de quarenta anos ou estudou agronomia sabe o que foi a praga da vassoura de bruxa para as culturas nordestinas, principalmente da soja, na região do recôncavo e Ilhéus, ambas na  Bahia. É claro que a cigarrinha do milho, como é chamada atualmente, não chega nem perto em termos de dano as lavouras – mas já começa a preocupar.

A cigarrinha também é uma paga e tem atrapalhado a produção do milho  pelo país a fora, porque é um inseto migratório que está encontrando alimento em safras que duram o ano inteiro. Está se refestelando, na verdade. A área plantada de milho é enorme: mais de 17 mil hectares. É muito alimento pra praga. Fora a entressafra, porque se planta milho no Brasil o ano inteiro.

Especialistas explicam que a área plantada do milho aumentou e o seu volume e divisão também ficaram mais equilibrados ao longo do ano produtivo, com substancial aumento da quantidade de grãos à disposição – para exportar, para venda e consumo doméstico e para silagem, mas também para alimentar a cigarrinha. Isso aumenta exponencialmente a praga.

A região mais perigosa do país para a expansão da cigarrinha é o Brasil Central, com temperaturas médias estáveis, fundamentais para a reprodução da cigarrinha, que não gosta de intempéries e acidentes climáticos, fortes chuvas ou grandes períodos de friagem. Lá não há amplitudes térmicas. É um motel para as cigarrinhas se reproduzirem e se alimentarem.

A cigarrinha é monófaga. Ela se reproduz e se alimenta exclusivamente do milho, expandindo a praga exponencialmente. Com temperatura ótima, ela realiza seu ciclo integral de desenvolvimento da praga, aumentando a oportunidade de expansão da população destes insetos que são vetores de doenças – enfezamento do milho e seu entombamento.  Os vírus e bactérias transmitidos pela cigarrinha vão encher o grão do milho, com impacto alto: milho doente, safra comprometida, vendas perdidas.

O agricultor tem que monitorar a praga. Tem que ter foco. Há pesticidas e outros insumos que combatem a cigarrinha. Mas o exame tem que ser quase diário do milho plantado, porque o acúmulo de açúcar na folha lhe dá uma cor estranhamente dourada e grãos chochos e mau formados, que não conseguem ser preenchidos. Precisa olhar a espiga, o colmo. Precisa de acompanhamento profissional.

O uso indiscriminado de inseticidas e pesticidas também é um problema, porque pode gerar novas pragas diante da falta de respeito à limitação de uso,  inclusive legal, com intervalos de reaplicação.  Portanto, o defensivo é uma ferramenta no combate à cigarrinha, mas para ser manejado com cuidado.

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