A pandemia da Covid-19 deve levar a uma recessão estimada de até -3% no PIB global este ano, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI). No Brasil, a projeção do Ministério da Economia é que o recuo chegue a 4,7%. Mas, e para o agronegócio, quais serão os impactos da pandemia?

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Apesar da crise econômica, o campo tem resistido muito bem ao impacto da crise mundial e deve fechar o ano em expansão.

Agronegócio brasileiro

De acordo com a estimativa da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil deve se tornar o maior produtor mundial de alimentos ainda em 2021, dado suficiente para que a produção agrícola recebesse a merecida atenção do Governo Federal, por meio de medidas como a antecipação da operacionalização do Plano Safra, a queda dos juros cobrados pelo BNDES, e maiores investimentos em infraestrutura logística para escoar a safra.

O agronegócio contribui com quase 25% do PIB brasileiro. Só os grãos produzidos aqui alimentam cerca de 1,2 bilhão de pessoas em todo mundo, segundo a Embrapa. O setor garante 20% dos empregos gerados no País e realiza 40% das exportações.

Alguns cultivos tiveram crescimento ainda mais exponenciais, como é o caso da laranja, que disparou neste ano cerca de 20% em seus preços, devido à maior demanda pela fonte de vitamina C em função do coronavírus.

Outro ponto positivo é a agropecuária, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria e Serviços (SECEX) divulgou que nos cinco primeiros dias de maio, o Brasil exportou 53,5 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 10,7 mil toneladas e incremento de 89,31% se comparado com o ano anterior, que registrou uma média de 5,65 mil toneladas.

Mas nem tudo são notícias positivas.

Dificuldades do agronegócio na pandemia

Apesar de ter um papel central na economia brasileira, o agronegócio nacional enfrenta ameaças contínuas. Se a alta do dólar pode baratear os produtos brasileiros no exterior, facilitando as exportações, o financiamento de insumos para a safra 20/21, especialmente na forma de Barter (pela qual é possível adquirir insumos com a produção futura) tende a encarecer.

Outra preocupação dos exportadores de grãos é se os chineses vão aumentar a compra de soja dos Estados Unidos e reduzir as importações do Brasil.

Pandemia para médios e pequenos produtores

Para quem não exporta o que produz, a pandemia trouxe algumas situações bem complexas, pois o isolamento social fechou as portas de restaurantes, food services e feiras livres.

Muitos produtores, especialmente os pequenos, ficaram sem conseguir escoar suas vendas. Foram semanas de agonia para as cadeias de hortaliças, frutas, flores, pescados, leite e ovos, que possuem milhares de pequenos e médios produtores — e que representam 85% das propriedades brasileiras com menos de 100 hectares.

No início da pandemia, o foco principal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) foi definir as atividades essenciais que não podiam parar, garantindo a continuação do abastecimento de alimentos. Na sequência, foi feito o protocolo do transporte de cargas, para tranquilizar os agentes que operam no setor, assim como os prefeitos e autoridades estaduais sobre os cuidados necessários.

Na esteira dessas ações, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) montou um comitê de crise e articulou com os ministérios da Agricultura e Infraestrutura novas regras de produção e distribuição de alimentos, através de programas públicos de aquisição direto dos produtores rurais.

Vários indicadores sinalizam que haverá um empobrecimento geral da média da população após a pandemia, levando o mercado a priorizar os produtos mais acessíveis e de melhor qualidade.

É importante a diversificação na produção, tanto de produtos da pauta exportadora como para o mercado interno, para aumentar a resiliência dos sistemas produtivos.

O Brasil terá a oportunidade de valorizar e aprimorar seu papel como produtor mundial de alimentos, respeitando os critérios de sustentabilidade. Nosso país pode sair da crise como um exportador ainda melhor e maior do que é hoje.

Dado o quadro atual, ainda é cedo para estabelecer sobre os impactos da pandemia no agronegócio, mas somos otimistas, tendo em vista a alta das commodities.

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