Você conhece os tipos de defensivos agrícolas? De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), até 40% da produção agrícola é perdida no mundo devido ao ataque de pragas. Insetos, mofo e roedores podem causar danos também nos processos de armazenamento.

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Partindo desses dados, fica claro a importância do uso de defensivos agrícolas no agronegócio.

Vamos aprender um pouco mais sobre isso?

O que são os defensivos agrícolas?

Defensivos agrícolas são produtos químicos, físicos ou biológicos usados no campo para o controle de seres vivos considerados prejudiciais à plantação.

Eles têm a função de defender as lavouras do ataque de insetos, plantas daninhas e doenças que atingem o ciclo de uma cultura.

Na legislação brasileira, o termo mais utilizado é agrotóxicos (mas só no Brasil são tratados assim), são também conhecidos por pesticidas, praguicidas ou produtos fitossanitários.

O seu uso permite a sustentabilidade da produção agrícola, que mantém o Brasil como um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. 

O agricultor pode aplicar os defensivos livremente em sua lavoura?

A resposta é: não.

Assim como os medicamentos, os defensivos agrícolas também exigem uma receita a ser prescrita: o receituário agronômico, feito por um engenheiro agrônomo.

Para sua correta aplicação deve-se saber:

  • O tipo de praga que está causando problema na lavoura;
  • A dosagem necessária para o controle;
  • As condições da área com problema.

É assim que esses produtos ajudam a manter rentabilidade e a alta produtividade da lavoura.

Conheça os tipos de defensivos agrícolas

Existem várias formas de classificar os defensivos. Pode ser de acordo com o tipo de praga que controlam, grupos de mecanismo de ação, toxicologia animal e periculosidade ambiental.

De acordo com a praga alvo que controlam

  • Inseticidas: são produtos à base de substâncias químicas ou agentes biológicos que controlam insetos (lagartas, percevejos, pulgões etc.)
  • Acaricidas: defensivos que controlam ácaros.
  • Fungicidas: agentes físicos, químicos ou biológicos que combatem fungos causadores de doenças nas plantas.
  • Nematicidas: defensivos utilizados para controlar nematoides (vermes) parasitas de plantas.
  • Herbicidas: são produtos que servem para eliminar ou impedir o crescimento de plantas daninhas.

De acordo com o mecanismo de ação na praga alvo

Cada ingrediente ativo (químico ou biológico) de defensivo obtido é classificado de acordo com o local e modo de ação em uma praga alvo. Ela pode ser um inseto, ácaro, nematoide, fungo ou planta daninha.

Uma molécula de inseticida do grupo químico dos organosfosforados, por exemplo, age sobre o sistema nervoso e muscular do inseto, eliminando-o ou inibindo seu crescimento.

Já um agente inseticida biológico, como Bacillus thuringiensis, por exemplo, age sobre o intestino dos insetos. A classificação de acordo com o mecanismo de ação funciona da mesma forma para os demais defensivos como fungicidas, herbicidas, nematicidas e acaricidas.

Os mecanismos de ação dos fungicidas podem ser encontrados no FRAC (Comitê de Ação de Resistência à Fungicidas) e dos inseticidas e herbicidas no IRAC (Comitê de Ação de Resistência à Inseticidas) e no HRAC (Comitê de Ação de Resistência à Herbicidas), respectivamente.

De acordo com a toxicologia em animais

A legislação brasileira utiliza o termo agrotóxico para descrever os defensivos agrícolas porque eles também podem ser classificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) por níveis de toxicidade.

Existem quatro classes toxicológicas.

No rótulo do produto comercial (ingrediente ativo + aditivos) deve constar uma faixa com a cor da respectiva classe toxicológica determinada em testes prévios. Também devem constar os dizeres relativos à saúde, que devem ser lidos de forma criteriosa antes do manuseio do produto.

Para essa avaliação toxicológica são realizados estudos agudos relacionados aos riscos de irritações de pele, dos olhos e inalação devido à exposição aos produtos. Também são realizados estudos crônicos relacionados aos riscos de causar câncer, mutações ou problemas reprodutivos. Se o produto apresentar alguns desses riscos relacionados aos estudos crônicos, ele não pode sequer ser registrado e comercializado.

De acordo com a periculosidade ambiental

Cabe ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) realizar a avaliação ambiental dos agrotóxicos, estabelecendo suas classificações quanto ao potencial de periculosidade ambiental. Para essa avaliação são realizados diversos estudos sobre efeitos dos agrotóxicos em aves, peixes, mamíferos, abelhas, entre outros organismos e microrganismos não alvo.

Recomendações para uso de defensivos agrícolas

Para tomarmos esses cuidados, devemos ficar atentos às seguintes recomendações antes, durante e a após o manuseio e utilização desses produtos:

  • A aquisição de um produto deve ser feita via obtenção de um receituário agronômico, prescrito por um profissional habilitado (engenheiro agrônomo);
  • Seguir todas as recomendações sobre transporte e armazenamento dos produtos, em conformidade com a legislação e com as recomendações do fabricante/distribuidor;
  • Não colocar os produtos químicos junto a sacos de alimentos ou adubos;
  • Impedir o acesso de pessoas não autorizadas, crianças e animais ao depósito são medidas para evitar problemas antes mesmo da aplicação;
  • Realizar a leitura do rótulo e da bula antes da utilização do produto;
  • Utilizar Equipamento de Proteção Individual (EPI) durante todo o processo de manuseio, incluindo preparo da calda e aplicação;
  • O preparo da calda é considerado a atividade de maior risco, pois o manipulador vai ter contato com o produto puro, altamente concentrado.

Intoxicações por defensivos agrícolas

As intoxicações por defensivos agrícolas podem acontecer de três formas:

  • Contato com a pele (via dérmica): pode causar irritação, inchaço, ardência ou brotoejas. A pele fica seca, às vezes, infeccionada, com pus, e evoluindo para cicatrizes;
  • Por meio da inalação (via respiratória): ardência do nariz e da boca, tosse, corrimento de nariz, dor no peito e dificuldade de respirar;
  • Pela boca (via oral): os sintomas são irritação da boca e garganta, dor de estômago, náuseas, vômitos e diarreia.

Importante: na ocorrência de intoxicação, disque 0800-722-6001 (ANVISA)

Todos os tipos de defensivos agrícolas já são, há muito tempo, essenciais para a agricultura pela praticidade e economia de tempo ao produtor rural, são os maiores contribuintes de uma safra produtiva.

Apesar de trazerem benefícios na produção de alimentos no mundo, é preciso muita responsabilidade e cuidado para utiliza-los, e sempre somente se necessário e da maneira correta.

Ficou claro os tipos de defensivos agrícolas e tudo o mais?

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