O que fazer após o fim da safra? Produtor rural, você também precisa descansar! Tire alguns dias para você e sua família. Brincadeira, sabemos que você sabe que o campo não para, não é mesmo? Terminada a colheita de grãos no campo, as preocupações com a propriedade continuam, uma vez que o cuidado com o pós-colheita é tão importante quanto as outras etapas de cultivo.

Sendo assim segue algumas dicas do que você precisa fazer após o fim da safra.

Pós-colheita x Pousio agrícola

Ao contrário do pousio — período em que a propriedade passa a entressafra em “repouso” e sem uma cultura de interesse plantada ou manejo realizados na área — a prática do pós-colheita, se bem feita, ajuda a diminuir a incidência de pragas, melhorar a atividade biológica e a capacidade de absorção de nutrientes do solo, contribuindo para o alcance de patamares mais produtivos a médio e longo prazos.

O que chamamos de manejo pós-colheita, na verdade, consiste em um conjunto de práticas agronômicas visando a preparação do solo para a próxima safra.

Nessa linha, não recomendamos deixar a área descoberta ou em pousio. Ou seja: caso opte por não plantar uma cultura subsequente, o produtor rural deve semear uma cultura de cobertura. 

Esse manejo de cobertura tem papel fundamental na proteção e preservação do solo, colaborando com o melhor controle de plantas daninhas a partir da palhada gerada pela cultura plantada.

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Atenção aos cuidados do solo no pós-colheita

Para te ajudar, produtor rural, elencamos os principais pontos de atenção e benefícios do pós-colheita.

O banco de sementes

Um ponto importante, quando falamos em manejo pós-colheita, é entender a dinâmica do banco de sementes de plantas daninhas e como isso compõe a forma de manejo da área.

Após a colheita, ainda ficam no solo inúmeros tipos de sementes de plantas invasoras em dormência, onde, tendo condições favoráveis para seu desenvolvimento, como água e nutrientes, vêm a germinar.

A preocupação com uma área de pousio é exatamente evitar essas condições para a germinação das plantas, o que acarreta em uma série de dificuldades de manejo por parte do agricultor quando for realizar a dessecação.

Quando as plantas daninhas ficam livres de competição com outra cultura e não encontram nenhuma barreira física — a palhada, por exemplo —, crescem e se desenvolvem de forma muito rápida. 

O uso de herbicidas no fim da safra

É preciso alguns cuidados antes de utilizá-los no campo. No caso dos herbicidas, especialistas recomendam esperar um intervalo de 15 a 30 dias após a colheita da safra de soja para iniciar a aplicação, caso as condições para ação do defensivo sejam adequadas.

Uma vez não plantada uma cobertura, também é necessário alertar que o manejo com herbicidas será muito mais desafiador quando a planta daninha estiver em um estágio avançado de desenvolvimento, uma vez que a dosagem de bula dos produtos aplicados poderá alcançar os maiores tetos, bem como o número de aplicações para o controle também poderá ser maior, gerando mais custos ao produtor.

A utilização do herbicida é facilitada quando se realiza o manejo pós-colheita, uma vez que, após o desenvolvimento da cobertura, o produtor poderá dessecar a área e, com o volume de palhada gerado, continuar o trabalho de preservação do solo, bem como realizar o plantio direto.

Manejo do solo com a cobertura no fim da safra

O agricultor tem à sua disposição diferentes opções de culturas de cobertura. Entretanto, ele precisa levar em consideração algumas particularidades das propriedades rurais. Geralmente, fazendas localizadas em áreas elevadas, como no Sul do país, estão em regiões frias.

Em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e a região Sul do Paraná, é mais comum o cultivo de aveia, trigo ou cevada, que são culturas mais tolerantes ao inverno. Nessas áreas, não é viável o cultivo de uma segunda safra de milho justamente em decorrência do clima.

Por outro lado, o cenário é bem diferente em regiões em que o calor é mais intenso, a exemplo do Centro-Oeste. Nesse caso, passada a safra de verão, o agricultor pode plantar o milho ou algodão safrinha, por exemplo.

Uma outra opção, caso deseje melhorar a fertilidade e a capacidade de absorção de nutrientes do solo, é escolher entre braquiária, crotalária, sorgo ou milheto como culturas de cobertura, uma vez que são adaptadas às regiões mais secas e quentes.

Outro aspecto interessante é que a cultura de cobertura ajuda a reter uma maior quantidade de água das chuvas e a manter a umidade do solo, além de protegê-lo das luzes diretas do sol. Isso é importante a médio e longo prazo, pois pode diminuir o estresse hídrico na safra seguinte em caso de estiagens e seca.

São várias etapas após o fim da safra como você pode ver, realmente o homem do campo nunca descansa.

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