Teremos uma safra recorde este ano, mas como nossa produção sofre influência da demanda e do preço no exterior, nossos números expressivos na produção rural não irão diminuir o preço dos alimentos nas gôndolas dos supermercados.

A explicação é simples, quando se observa que os grãos e outros produtos agrícolas negociados em bolsa não são ativos, mas expectativas, commodities. Vende-se safra futura no mercado financeiro e seu preço leva em conta o que vale a tonelagem lá fora, para exportação e em dólar,  e não o valor interno do produto no mercado doméstico.

Como  a procura lá fora está maior, vira um efeito dominó: produzimos muito, mas aumentou a demanda, e aí o preço permanece em alta. Coisas da economia. 

Ainda é importante frisar que os preços atuais foram influenciados em parte pelas dificuldades logísticas decorrentes da pandemia da Covid, e os futuros deverão sê-lo por conta da Guerra da Ucrânia, dentre outros fatores A economia deve ser analisada como um todo global, sempre, e não como um fenômeno doméstico.

A safra recorde e o preço alto dos grãos influenciam o preço de outros produtos agro. Como o negócio com cereais está mais promissor, diversos produtores passam a plantar milho, trigo e outros grãos e abandonam temporariamente suas culturas de origem  – o tomate passa a ser menos produzido, por exemplo. E com a demanda em alta, também sobe de preço.

 A safra estimada, para que se tenha uma ideia, será de 272,5 mi de toneladas, um recorde nacional.  O trigo ainda pode alterar estes números por conta de problemas climáticos na colheita, mas a soja e o milho permanecem com colheitas promissoras, e o mesmo deve ocorrer com o feijão. O arroz e o feijão são um caso a parte, porque sua maior demanda é interna. Mesmo assim, a estiagem não está prejudicando as expectativas de grande safra.

Apesar de produzirmos muito trigo, ainda o importamos, porque consumimos mais do que a  nossa produção. A safra é tão promissora, no entanto, que devemos importar bem menos este ano e no ano que vem. Caminhamos, quanto ao trigo, para nos tornarmos autossuficientes em sua produção.

Por fim, o milho: condições climáticas não inviabilizaram sua produção e está todo praticamente colhido e pronto para distribuição interna e externa. Novamente com números expressivos, e novamente sem melhorar o preço no mercado interno. Pena, mas é a economia.

fonte: https://www.canalrural.com.br/noticias/agricultura/safra-recorde-e-praticamente-certa-mas-preco-do-alimento-nao-deve-cair-diz-ibge/

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